Escritos Gregos Antigos: Teogonia – Versos de 5 ao 8

(A proposta ainda continua, melhorar meu grego e melhorar minha tradução, podem criticar e se souberem alguma coisa de grego podem também me dar um toque sobre as posições gramaticais )

καί τε λοεσσάμεναι τέρενα χρόα Περμησσοῖο
ἢ Ἵππου κρήνης ἢ Ὀλμειοῦ ζαθέοιο
ἀκροτάτῳ Ἑλικῶνι χοροὺς ἐνεποιήσαντο
καλούς, ἱμερόεντας: ἐπερρώσαντο δὲ ποσσίν.

Vocabulário – Substantivos:
χρόα – Masculino Acusativo Singular ( N. χρώς ) – Sign.: superfície, pele, carne, corpo…
Περμησσοῖο – Esse é difícil porque sua declinação é poética e não encontrei nada que me ajude a relamente estruturar sua função sintática, tudo que consigo deduzir é que é um nome próprio, que está no Dativo, porém não consigo dizer se está no plural ou singular, nem identificar a declinação. Pode ser também um Genitivo épico… – Sign.: Permessos. E até onde consegui pesquisar é uma das fontes presentes no monte Helicón.
ἵππου – Feminino Genitivo Singular (N. ἵππος). Sign.: Cavalo, Égua ou Carro.
κρήνης – Fem. Gen. Sing. Sign.: Fonte
ἑλικῶνι – Masc. Dat. Sing. (N. Ἑλικών)- Significado : Hélicon
χορούς – Masc. Ac. Pl. (N. χορός) – Sign.: Dança
Ὀλμειοῦ – Posso identificá-lo como genitivo singular, mas não consigo definir o gênero – Sing.: Olmio
ποσσίν – Masc. Dat. Pl. (N.: πούς). Sign.: Pés

Verbos –
λοεσσάμεναι – Particípio Aoristo 1 Médio Sigmático Nominativo Plural Feminino v. λούω (N. λοεσσάμενος, λοεσσαμένη, λοεσσάμενον) – O significado do verbo no particípio aoristo médio pode ser traduzido assim : Lavando(-se), que (se) lava, fazendo lavar, que (se) lavou, que fez lavar, tendo feito lavar…
ἐνεποιήσαντο – 3ª Pessoa do Indicativo Aoristo Médio 1 Sigmático v. ἐμποιέω. Sign.: Foram feitas, foram fabricadas, foram produzidas.
ἐπερρώσαντο – 3ª Pessoa do Indicativo Aoristo Médio 1 Sigmático v. ἐπιρρώομαι. Sign.: foram agitadas, foram movidas, foram balançadas.

Adjetivos –
τέρενα – Neutro Ac. Pl. (N. τέρην, τέρεινα, τέρεν) – Sign.: Doces, Delicados, Frágeis…
ζαθέοιο – Fem. Gen. Sing. (N. ζάθεος (ou η), ζάθεον) – Sign.: Divino, santo, adorável…
ἀκροτάτῳ – Mas. Dat. Sing. (N. ἄκρος, ἄκρα, ἄκρον) – Sign.: Ponto mais distante, final…
καλούς – Masc. Ac. Pl. ( N. καλός, καλή, καλόν) – Sign.: Belo, bom, agradável…
ἱμερόεντας – Masc. Ac. Pl. (N.ἱμερόεις, ἱμερόεσσα, ἱμερεν) – Sign.: Admirável, amável, desejo excitante…

outros-
ἢ – Pode significar ou. (Pode também significar que depois de uma comparação)

Poema traduzido

Das Musas Heliconíades começamos a cantar,
As quais possuem o grande e divino monte Hélicon,
E ao redor da flórea fonte, com seus macios pés [de musa], dançamos
[diante do] altar do poderoso filho de Cronos.
E lavando suas delicadas peles no Permessos
ou Fonte Égua ou o Sagrado Olmio
Agitando os pés criaram
Exuberantes danças no Alto do Hélicon.

(Por enquanto não está havendo nenhuma reflexão do que está sendo feito, pois não entramos de vez na genealogia dos deuses, assim como fica difícil determinar algumas coisas com tão pouco material expondo o significado de Permessos , Hélicon ou Olmio)

Celular

Pego meu cigarro

Me retiro para fumar

Acendo meu isqueiro

Mais um trago pra relaxar.

Permaneço pelo respeito

Ligo o celular

Me distraio em cheio

Meus olhos não cansam de olhar.

Talvez fumar seja mais saudável.

Finalmente Assisti o filme do Coringa

(Esse será o texto mais curto sobre algo imenso)

Antes de assistir ao filme eu acabei sendo guiado por muitas opiniões e o meu maior receio era a justificativa do Coringa. Para ser mais exato a justificativa da sua violência. E particularmente depois de assistir percebo que tal justificativa não existe, e não existe de uma forma esteticamente bela.
Eu quero discutir aquilo que mais gerou intriga, a visão política. Normalmente personagens injustiçados por conta do sistema social e político vigente se tornam os piores vilões porque a sociedade que é má produziu o pior encarnado em alguns cidadãos. Mostrando assim como a interpretação oferecida pela visão política de esquerda é suficiente para explicar os males causados pelo nosso sistema econômico mal compartilhado. Essa visão parece se fixar nos primeiros minutos de filme, no entanto ela vai se diluindo ao percebermos o progresso de Arthur Fleck (Coringa). E por que eu digo isso? Porque o filme está preocupado com outra coisa. A experiência estética.
Quando eu vejo as pessoas discutindo sobre esse novo Coringa que não é niilista porque sua violência claramente não provém do caos devido a uma visão política clara e distinta que o filme tenta passar, eu percebo o quanto nós somos dispersos dos objetivos. O Coringa é um personagem caótico também neste filme. O problema é, as pessoas montaram uma história a partir da reação dos personagens periféricos da trama e não a partir do próprio Coringa. A violência retratada na cidade de Gotham é esteticamente bela. Sabe quando você olha para um quadro pintado e diz: Bonito, cores vívidas, atraente; e no fim percebe que é uma pintura sobre a morte de centenas em campos de batalha? Ou quando escuta uma música e pensa que ela é romântica ou feliz e na verdade é sobre morte, sofrimento, dor, manipulação, cenas de guerra etc…? Esse é o filme. Ele retrata muitas coisas desconcertantes e sofridas justamente porque você está lidando com alguém desconcertante. O filme te carrega ao longo de sofrimentos e te oferece respostas insuficientes.
Quem assistiu o filme e saiu com muitas certezas talvez seja mais atento do que eu. Entretanto quero acreditar que as pessoas saíram com muitas certezas porque não se prenderam a experiência oferecida. A visão política presente no filme é fruto dos outros e não do Coringa. *SPOILER* SPOILER*


Depois de matar suas primeiras vítimas nosso personagem parece assustado e até mesmo justificado por meio da sua ação, parece uma violência redentora, algo que comunica um processo de libertação e cura, uma resposta a sociedade lixo que produz mais lixo igual a ela mesma. Uau! No entanto, toda a interpretação e revolta que é gerada nos outros é fruto das próprias reflexões dos outros. Assim como a justificativa rasa de que o Coringa é fruto da sociedade é jogada fora ao nos depararmos com histórias inconclusivas durante a sua trajetória, ele é filho do cara rico? Ele foi adotado? Ele foi abusado? Ele ria durante os abusos? Sua mãe mentiu? Sua mãe disse a verdade? Sua vida é uma incógnita e todas as perguntas fazem parte do seu sofrimento. Em quem ele deve acreditar, na mãe, no cara rico ou no hospital psiquiátrico? Antes do filme introduzi-lo como um quase justiceiro sua psicóloga menciona sua breve estadia no Hospital Arkham. Então ele já era louco. Mas por culpa da sua mãe. Não, mas ele já ria durante os abusos. Então por conta da adoção. Não, mas não sabemos quem são seus pais ou como era o orfanato. O filme menciona orfanato? Não.
Assim o Coringa não se estabelece, origem caótica.
A visão política forçada para cima dele tanto no filme quanto nos espectadores do filme é obra da interpretação de cada um. E a minha é que não há razões para acreditar nessa visão política partindo dele como se ele ativamente militasse pela causa do proletariado vencendo os burgueses. As primeiras mortes nem dava para saber se eram ricos ou pobres, pessoas comuns ou grandes acionistas, tudo que sabíamos até aquele momento era que tínhamos um grupo de babacas diante de nós que depois se revelam como importantes. E talvez, se você chegou até aqui, esteja pensando: “Mas a cena da televisão é muito clara, ele fala de sistema, de como a sociedade o produziu, de como os caras ricos são horríveis, fica clara sua visão política ao declarar isso”. A minha resposta ao pensamento é não. Porque o que acontece ao longo do filme é o próprio Coringa notando o quanto as pessoas estão revoltadas com suas formas de vida. É como se um assassino psicopata percebesse todos os perigos pelos quais os militantes políticos estão dispostos a correr ao perceberem seu poder de destruição. Se as militâncias políticas tivessem o mesmo poder de fogo dos policiais não teríamos guerras cotidiana nas ruas? E se na verdade só nos faltasse matar alguém importante de verdade para mostrar o quanto os nossos políticos corruptos são frágeis como qualquer outro ser humano. E se fizessemos isso em rede nacional?
O que consigo notar ao longo do filme é que o Coringa percebe o seu poder não verbal ao ler manchetes sobre ele, ao ver sua força sendo propagada, ele se encanta e monta sua primeira comédia de origem a partir daí.
A violência é esteticamente bela ao longo do filme, tanto da sociedade, quanto dos cidadãos, quanto do próprio Coringa, é tudo chamativo, é tudo da cabeça de alguém já perturbado e seduzido por essa violência. O que faltava era deixar que essa perturbação o dominasse. E o ápice dessa perturbação é quando seu poder não verbal se torna verbal é o seu discurso na televisão, ele não tem uma visão política, mas quem o assiste tem. O fato dele apelar para os revolucionários revoltados que percebem o sistema gerando pessoas como ele, não é porque é verdade, mas porque é convincente. Antes dele falar as pessoas já o interpretavam como símbolo da busca pela justiça contra os burgueses, no entanto depois que ele fala ele explode a granada que só precisava ser solta.
Ele é um manipulador como todo bom Coringa.
Seu dia ruim não é o suficiente para fazê-lo cruel. A sociedade não é suficiente para torná-lo o pior dos piores. Sua mente não é o suficiente para explicá-lo em suas ações. A violência não é justificada porque sua origem continua em aberto. Ele ser fruto da sociedade faz parte do discurso de um louco que encontra a beleza no caos. Se havia alguma possibilidade de suas origens estarem certas elas são suprimidas pelo caos de Arthur Fleck. Ele mata sua mãe, ele rouba seus registros, ele escuta as mentiras e resolve acreditar em todos e em nenhuma. Ele dança diante do caos, e isso é esteticamente belo, assim como Nietzsche : ” É preciso ter o caos dentro de si para gerar uma estrela dançante”. Esse Coringa não é só um Niilista ele é o representante do maior filósofo do Niilismo. Nietzsche tem frases que nos dizem (Parafraseando): O homem só não é cruel porque se preocupa demais consigo mesmo; Só posso acreditar em um deus que dance; Riu de todos os mestres que não riem de si; A gaia ciência ( a ciência que ri ), devemos rir de todas as tentativas do homem ordenar o caos que é a vida; É necessário fazer nossa vida uma obra de arte .
O Coringa opta pela comédia e vive atuando em cima daquilo que o público quer ouvir. Assim como ele manipula a cidade aderindo ao discurso da cidade ele se deixa levar preso por motivos ridículos. O filme retrata de fato um louco, alguém que parece lúcido por compartilhar da nossa realidade e depois alguém que parece insano por não ter razões claras para fazer o que faz. Ele dança uma música que ninguém escuta. Ele mata com violência e foge com medo. Ele arquiteta a própria morte e desiste do plano por causa da sua própria reflexão. Ele para de tomar os remédios para aceitar sua perturbação e perceber que não há razões para segurar o riso. Ao mesmo tempo que ele busca os aplausos ele não liga para o que fazem os outros rirem. O Coringa permanece agente do caos.

Eu não sei sobre o que será esse texto

O que é a escrita senão a fotografia do pensamento?
Senão ou se não?
O que é a poesia senão o retrato dos sentimentos?
Então, pois então?

Se eu penso sobre a fotografia entendo que ela rouba a alma.
Não a alma que todos dizem que ela rouba,
Mas a alma do movimento.
Em latim alma é ânima e ânima é deslocamento.
A biologia pegou essa ideia com bastante entendimento.

Então se a fotografia rouba a alma ela restaura o movimento do momento.

A foto é a captura de uma memória que ganha vida na mente de quem lembra.

Quem é essa pessoa no retrato? Esse era o seu avô.
Nossa, mas ele era tão jovem nessa foto.


Um dia a fotografia lhe furtou a juventude para manter a lembrança viva da sua finitude.

E quem é essa criança? É o bebê que um dia você foi para perceber o movimento que está sendo.

Sendo o quê? Sendo Você.

E de quem é esse texto? Esse texto é algo que provem da sua fala.
A fala segue o fluxo desse algo que chamamos vida.
E a vida possui seus próprios caminhos.
Mas quando é fotografada restaura o movimento de tempos longínquos .

Paralisa a fala por alguns instantes e o portador desse pensamento falante registra os momentos mais ‘posados‘ para o melhor retrato.
Sentimentos organizados, pensamentos em cadeia trabalhando para melhor serem interpretados.
A escrita é a fotografia da alma do pensamento.


Então o que são os Blogs senão instagrams para gente ociosa?
Se não ou senão…?

Reflexões sobre a linguagem 3 – Formas de Vida

Nada pode ser mais impressionante para um leigo das teorias da linguagem do que vivenciar um esclarecimento conceitual sobre algo que já havia pensado.

 
  O conceito a ser explorado aqui é o conceito mais genial que eu já ouvi. Primeiro porque ele é simples. Segundo porque ele é fácil. Terceiro em sua época este pensamento não era recorrente. Quarto ele engloba os animais.
   Formas de Vida é o nome desse conceito. Parece bobo, porque forma de vida não tem características de ser um título muito chamativo para uma teoria da linguagem, no entanto Wittgenstein utilizou estas palavras para falar de algo muito peculiar dentro de nossas estruturas de linguagem.
    Este conceito aparece pela primeira vez na história da filosofia da linguagem dentro de uma obra bastante conhecida denominada Investigações Filosóficas de Ludwig Wittgenstein. Dentro desta obra Wittgenstein está se autocorrigindo. Agora, se autocorrigindo de que? O que ele errou para ter que escrever uma obra só para se corrigir? A resposta curta é, linguagem. Ele errou sobre o que significa linguagem.  E onde ele errou?
Wittgenstein é conhecido por duas obras, apesar de existirem outras com seu nome escrito na capa, ele no geral só se dispôs a escrever duas destinadas a publicação. Na verdade, na verdade, ele só escreveu uma destinada a publicação, a outra as pessoas que o circundavam que pediram para que ele publicasse. Bem, a obra que ele escreveu para publicação foi Investigações Filosóficas e a outra que acabou se tornando uma publicação é talvez o marco mais famoso da filosofia da ciência, epistemologia e lógica, Tractatus Logico-Philosophicus. O que diz essa obra? Bem se eu tiver a permissão de reduzir tanto assim a obra eu posso dar uma imagem débil do que ela significa, é uma obra sobre Mundo, Lógica e Mística. No mundo há tudo que podemos dizer, na lógica a tudo que podemos pensar, na mística a tudo que não conseguimos dizer. Entenda, isso não é apenas um resumo dos temas é um assassinato do que essa obra significa.
Dentro do mundo, a lógica pode se utilizar de todos os recursos que estão disponíveis nele para comunicar e pensar. Logo, a linguagem ela pode ser usada para comunicar qualquer coisa, desde que essas coisas possam ser verificadas. Dentro disso a uma concepção, ainda estou simplificando demais, esta concepção nos diz que as frases podem ser reduzidas aos nomes. Por exemplo, quando eu pronuncio : “João tem carro”, para que o meu ouvinte interprete esta frase ele primeiro tem que entender a constituição mínima dela, e a constituição mínima das frases são os nomes. Os nomes para um lógico dessa corrente são denominados Átomos. Fórmulas atômicas são normalmente ditas como a menor parte existente em uma fórmula. E essa forma de pensar sobre as fórmulas também pode ser transferida para as comunicações do nosso dia a dia.
Voltando ao exemplo, João tem um carro, possui diferentes interpretações para as diferentes concepções de João. João pode ser seu vizinho, seu amigo, seu chefe, um desconhecido, e assim por diante. No entanto, se somos falantes da mesma língua (Português), nós fomos alfabetizados e durante a nossa alfabetização nos ensinaram o que significa ter, um e carro. Sabemos que ter é um verbo que indica ação ou estado das coisas, e “um” é numeral ou artigo indefinido… Vish… Continuando, e carro é um substantivo que denomina aquela coisa que colocamos gasolina, possui um motor, tem quatro rodas, todo brasileiro pode conseguir dirigir um depois dos 18 anos de idade e tirada as devidas documentações…. Bem, acho que todos nós conseguimos compreender as partes que constituem essa frase certo? Mais ou menos… Pense na frase de novo, João como um nome próprio, comprou como verbo de ação, um como artigo indefinido, carro como substantivo. O problema é o um. Sendo artigo indefinido ou numeral, o que ele denota? Quando é indefinido ele denota o aleatório e quando numeral ele denota… nada. Números comumente são conjuntos vazios, sozinhos não significam muita coisa. Pense em 5 lápis. Agora esqueça a palavra Lápis, pense agora só sobre o 5. Ele faz sentido sozinho?
Se a resposta for sim é porque você ainda está pensando errado, kkkkk. O 5 não é real. O 5 é uma concepção abstrata para conseguirmos denotar quantidades, qualidades, organizações etc… Já passou pela sua cabeça que os números e as coisas que denotam os números foram inseridas em nossa realidade como um treinamento? É ai que entra o conceito Forma de Vida de Wittgenstein.
Nós somos enganados pela linguagem que utilizamos porque no fim das contas elas só fazem sentido conforme a prática que adotamos no nosso dia a dia. O contexto temporal de vida. As palavras sozinhas não tem que significar coisa alguma, porque elas só fazem sentido dentro de uma frase onde estamos agindo. Pense só na palavra existir. O que ela significa? Verbo. Mas o que significa agir a existência ou estar existindo. Sem viajar para o existencialismo ou nas poesias. Pense se algo pode deixar de existir. Se a resposta for sim, talvez você esteja pensando na existência como vida ou memória, ou visualização. Existência não é vida. Existir e viver são verbos diferentes. Existir tem a ver com nosso estado físico no mundo. Quando morremos nos decompomos e viramos pó. E pensando sobre nossas aulas de química entendemos que: Nossos átomos permanecem. Nunca deixo de existir, mesmo depois de desintegrar.
No entanto usamos a palavra existir todos os dias sem medo, sem dúvidas tão profundas, porque isso não faz parte das nossas formas de vida. E é aí que o conceito fica interessante. Animais e nós não nos comunicamos plenamente porque temos formas de vida distintas. Nossos contextos são diferentes. Mesmo o gato e o cachorro que aprendem a se comunicar com seus donos e seus donos aprendem a interpretar seus estados de ânimo, etc. Eles não conseguem “falar” entre si completamente porque suas formas de vida são distintas. Não é porque os animais não tem habilidade de comunicação, nós é que queremos que eles se comuniquem como nós nos comunicamos. As questões absurdas de animais não serem racionais são questões gregas e não nossas, seres humanos modernos. Wittgenstein é instigante.

Escritos Gregos Antigos – Teogonia

(Como iniciei uma série, ontem, sobre a história da filosofia, vou tentar dar um segmento paralelo a uma outra coisa que chamarei de: Escritos Gregos Antigos; que consistirá em traduzir e viajar um pouco nas ideias explorando os escritos em grego sobre o que constitui a mitologia e a filosofia dita “pré-socrática”)

O que significa Teogonia? Θεογονία é um substantivo grego que significa genealogia dos deuses, é a junção de duas palavras – Θεός (substantivo ) e γίγνομαι (verbo) – esta junção de palavras pode dar uma certa clareza em relação ao significado de Teogonia. É a história de como os (θεός) deuses (γίγνομαι) vieram a ser. Como nasceram, qual é a sua descendência, de onde vieram…

Quem nos diz de onde vem os deuses? Hesíodo ‘Ησίοδος. Ele foi um poeta antigo. Alguns o intitulam como um dos pais dos costumes religiosos da Grécia antiga. Uma curiosidade sobre esse poeta é o fato de sua tradição ser oral e não escrita. (Os poetas antigos que participaram dessa tradição oral, se apresentavam semelhante aos nossos músicos de hoje em dia, eles compunham suas poesias e iam de cidade em cidade apresentando seus “shows”)

E como essas poesias da tradição oral chegaram a nós já que tais poemas são de uma tradição oral e não escrita? Através da memória do povo que ouviu esses poemas. Assim como decoramos canções infantis que nunca mais ouvimos em nenhum lugar, mas conseguimos cantar através do que lembramos, os povos antigos valorizavam essa habilidade do ‘decorar’ e através dela tais poemas foram preservados até nós. Não se sabe de onde vem esses escritos e até mesmo questionasse o fato de Hesíodo ter ou não criado este poema, no entanto por ser uma das poucas fontes da tradição antiga ( tal como o poeta Homero) o que nos resta é acreditar na sua autoria.

~~~ para quem já está frustrado pela falta de certezas só tenho a dizer: Ti entendo ~~

O Poema

μουσάων Ἑλικωνιάδων ἀρχώμεθ᾽ ἀείδειν,
αἵθ᾽ Ἑλικῶνος ἔχουσιν ὄρος μέγα τε ζάθεόν τε
καί  τε περὶ κρήνην ἰοειδέα πόσσ᾽ ἁπαλοῖσιν
ὀρχεῦνται καὶ βωμὸν ἐρισθενέος Κρονίωνος.

*Sei que não sou um tradutor profissional, nem trabalho com isso. O que consigo compreender de grego é muito pouco, apenas vou fazer este trabalho através do blog para melhorar meu grego e deixar disponível para quem quiser se utilizar ou criticar para me ajudar a crescer nessa área.*

Vocabulário –
Substantivos:
μουσάων  – Feminino Genitivo Plural (Nominativo: Μοῦσα). Sign.: Musas . Musa eram entidades gregas que inspiravam os artistas gregos, tradicionalmente se fala de 9 Musas e cada uma é responsável por uma arte.
 Ἑλικωνιάδων – Feminino Genitivo Plural (N.: Ἑλικωνιάδες). Sign.: Heliconíades .
Ἑλικῶνος – Masculino Genitivo Plural (N.: Ἑλικών). Sign.: Helicón – significado literal: torcido; tortuoso – é um monte grego bastante visitado na mitologia, lá havia a fonte onde a estória de Narciso se desenrola e mais duas fontes consideradas sagradas pelas Musas.
ὄρος – Neutro Acusativo Singular (N.:ὄρος). Sign.: Monte.
κρήνην – Feminino Acusativo Singular (N.: κρήνη). Sign.: fonte.
πόσσ᾽ – Masculino Dativo Plural (N.: πούς). Sign.: Pés.
βωμὸν – Masculino Acusativo Singular(N.: βωμός). Sign.: Altar.
Κρονίωνος – Masculino Genitivo Singular(N.: Κρονίων). Sign.: Filho de Cronos
Verbos:
ἀρχώμεθ᾽ – 1º Pessoa do Plural, Presente do Subjuntivo Médio-Passivo, v. ἄρχω. Significa: que nós nos iniciamos, que nós sejamos iniciados, que nós começamos…
ἀείδειν – Presente Infinitivo Ativo, v. ἀείδω. Significado: celebrar, cantar.
ἔχουσιν – 3ª P. do Pl. Pres. Indicativo Ativo, v. ἔχω. Significado: possuem, levam, conduzem, tem.
ὀρχεῦνται – 3ªP. do Pl. Pres. Ind. M.P., v. ὀρχέομαι. Significado: nós dançamos.
Adjetivos:
μέγα – Neutro Acusativo Singular (N.: μέγας, μεγάλη, μέγα). Significado: Grande, forte, alto…
ζάθεόν – Neutro Ac. Sing. (N.: ζάθεος (ou η), ζάθεον). Sign.: Divino, santo, adorável, admirável…
ἰοειδέα – Fem. Ac. Sing. (N.: ἰοειδής, ἰοειδές). Sign.: como uma flor, violáceo (literal – forma do roxo)…
ἁπαλοῖσιν – Masc. Dativo Pl. (N.: ἁπαλός, ἁπαλή, ἁπαλόν) . Sign.: Brandura, delicadeza, maciez …
ἐρισθενέος – Masc. Gen. Sing. (N.: ἐρισθενής, ἐρισθενές). Sign.: muito poderoso, muito forte …
Outras coisas:
αἵθ᾽ – Pronome Fem. Nominativo Pl. (N.:ὅστε , ἥτε, ὅτε). Sign.: que, qual, quem…
τε – Significado: Por isto; Conjunção- Além de; em resumo; já….já, ou…ou. Ou pode ser um pronome que significa, Ti.
καί – Possui muito sinificados- E, também, não só… mas ainda, ainda…, certamente…
περὶ – Preposição – Acerca de, entorno de, sobre…

Tradução

Das Musas Heliconíades começamos a cantar,
As quais possuem o grande e divino monte Hélicon,
E ao redor da flórea fonte, com seus macios pés [de musa], dançamos
[diante do] altar do poderoso filho de Cronos

O inefável

O pensado é necessário
O necessário é possível
O possível é inegável
Eis o inefável.

O impossível; O indizível;
O nada; O tudo; A fala;
O mundo,

O amor, a dor, a melancolia,
o choro, a chegada do dia,
O nascer do sol, a morte do querido,
o espanto do nascido

O berro do sacritífio o horor do maldito a força do sensível a humildade inteligível a salvação do Filho o resgate do indigno.

Pronto! Acho que agora o inefável se tornou o não dito, o Bendito, o Sumo Boníssimo.

Jônatas Medeiros Júnior